segunda-feira, 18 de junho de 2012

A Saudade e o Delírio

A saudade que eu sinto em meu ser
é delírio, é canção, é poesia, 
é feérica linda, é magia 
que me encanta no torvo viver; 
é a lembrança que eu sinto em rever, 
na memória que insiste em mostrar 
a alegria vivida ao luar, 
na meiguice com meu doce amor. 
Ó, saudade que canto com dor, 
no delírio do meu versejar!

Eu relembro das noites de inverno
em que a flor me afagava no rosto:
eu deitado ao seu lado, em meu posto,
me esquecia do lúgubre inverno.
E vivia na noite à falerno
sedutor, no prazer desse amar.
Como pássaro ledo ao cantar
à tardinha, ao final do labor.
Ó, saudade que canto com dor,
no delírio do meu versejar!

Quando eu ouço as canções dos momentos
em que estávamos ledos assaz
sobre o tálamo quente que apraz...
Eu viajo com meus pensamentos;
e, até hoje os fatais sentimentos
que navegam cismando no ar
não trafegam sem eu prantear
de queixume, por não ter amor.
Ó, saudade que canto com dor,
no delírio do meu versejar!

E nos transes sofridos da vida
em que eu perco a razão, a alegria;
em que eu sinto a feral nostalgia
que é causada em cruel despedida,
a minh' alma se torna abatida
com saudade das ondas do mar
e das conchas que eu ia pegar,
com os risos da mais bela flor.
Ó, saudade que canto com dor,
no delírio do meu versejar!

Eu nem quero fazer mil rodeios,
escondendo esta minha tristeza,
ao lembrar da formosa princesa
que fazia comigo passeios,
me levando em arpejos e enleios
ao clarão do farol sobre o mar,
planejando um futuro e um bom lar,
recheados com júbilo e amor.
Ó, saudade que canto com dor,
no delírio do meu versejar!

E, hoje, morro de pura saudade,
aos arpejos da triste canção
que encarcera o meu bom coração
que suplica: "- Me dê caridade!"
Mesmo só, sem fanal, equidade...
Dou louvores à dama que está
recebendo este meu poetar,
altruísmo de um vil sofredor.
Ó saudade que canto com dor,
no delírio do meu versejar!


05/04/2012 8h29

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Súplica

Saudade de ti, meu brotinho;
saudade infinita no peito!
Eu quero que aqui bem pertinho
me faças ser tão satisfeito.


Desejo o desejo dos Cantos
proféticos, santos e ledos
com flores, milhões de amarantos,
delírio nos rijos penedos.


Que o peito do bardo sofrido
proclama a paixão caliente,
o amor em seu peito escondido
a ti, meu brotinho contente.


Se sentes paixão como a minha,
saudade que abrasa e consome
te digo sem ter entrelinha:
- Não vou me esquecer do teu nome!


Que o peito do bardo sofrido,
a ti, meu brotinho contente,
o amor em seu peito escondido
proclama a paixão caliente.


Saudade infinita no peito!
Eu quero que aqui bem pertinho
me faças ser tão satisfeito...
Saudade de ti, meu brotinho!



13/06/2012 12h18