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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Galope do Jugo, Julgo e Dogmas


A moça bonita beija a outra menina
E o macho se esfrega no pau de outro macho...
Parece que o homem do diabo é capacho
E o adúltero julga ser erro essa sina;
Porque o homem vê a prostituta na esquina,
Achando-se o santo dá a grana pra amar,
Depois com seu bico empinado pra o ar
Despreza o mendigo que lhe é semelhante,
Julgando-se certo em caminho brilhante
Que leva ao buraco mais fundo do mar.

Eu fico buscando no mundo gigante
Ventura, candura, o amor de verdade...
Não jugo que dão por um dogma ou maldade,
Por puro desprezo de uma alma ofegante
Que quer, que deseja ser sempre operante
Na pura malícia, e o veneno a esporrar
No rosto de quem tá perdido, sem lar...
Talvez se ele olhasse no furo do umbigo
Veria que o espera o mais duro castigo
Que leva ao buraco mais fundo do mar.

O julgo parece que vem do Inimigo
E o tolo coloca e repassa pra o povo,
Dizendo ser cem, mas não passa de um ovo
Comido com gosto lá fora do abrigo...
Se o tolo vier tirar uma comigo
Eu jogo as verdades que tem que escutar,
Nem deixo esse cego no ouvido a falar,
Porque muito sei que isso é falta de amor,
Sem ele o coitado verá o Malfeitor
Que leva ao buraco mais fundo do mar.

Cairo Pereira

terça-feira, 17 de março de 2015

Parabéns!

Para Diogo Queiroz

Os meus parabéns são sinceros, Diogo!
Desejo pra ti muita paz, harmonia,
saúde, churrasco, cerveja alegria,
dinheiro, xaninha - e que venha com fogo,
amor e paixão que te peçam com rogo
o teu coração, e que possas, sim dar...
Um trampo que possa o teu ego elevar,
o rock firmeza, também mil améns...
Meu truta, desejo pra ti, parabéns!
Cantando o galope na beira do mar.

Desejo que o porco não caia de novo
e faça vexame pra sua torcida;
meu velho num 'guenta, mas fecha-se à vida,
nem diz que levou u'a porrada no ovo;
porém, meu amigo, ao dizer me comovo...
Que ao ver as porquinhas que temos que amar,
seus glúteos formosos podemos fitar:
nem quero dizer das gostosas peitolas,
atiçam meus sensos até os das bolas,
cantado o galope na beira do mar.

Desejo que tua cultura evolua,
que pintes, despintes com cores o mundo,
que leves ventura até mesmo pra o imundo,
que chora sozinho, pedindo pra lua
lhe dar menos chifres; que o povo da rua
te veja – um artista – que sabe pintar
o triste, o contente e que sabe brincar,
que cada ano passe com muita alegria,
que os anos te tragam mais sabedoria,
cantando o galope na beira do mar.

O meu desabafo vem cheio de amor,
porque amo demais ter a tua amizade
e, vamos dizer, cá, com sinceridade,
galinha que é preta merece o fedor
de gols, de derrotas, de botas... pra dor
no lombo corcunda pra nos alegrar.
Só quero, Diogo, fazer-te lembrar:
das brejas que juntos tomamos felizes,
que juntos curamos fatais cicatrizes,
cantando o galope na beira do mar.

Então, neste dia eu desejo que esqueças
das dívidas, lutas, amores perdidos,
dos chefes malditos e tão corrompidos,
que pelo o poder perdem suas cabeças,
das dores sentidas, amigo, obedeças,
e corra sorrindo só para abraçar
a tua coroa e qualquer familiar
e diga: - Mamãe, obrigado por tudo!
Eu sou desenhista – por ti – sou sortudo!
Cantando o galope na beira do mar.

17/03/2015 14h18

Talvez a Esperança...

Às vezes, na vida, passamos sufocos,
Perdemos as contas das humilhações,
As contas - milhares - no lombo, vergões,
As tapas, porradas, no rosto mil socos,
Desdém, desamor, os descasos sem trocos,
Das vezes que o tudo não é salutar...
São tantas lições, nem podemos falar
Das coisas injustas de vis roubadores
E nós nos calamos sentindo os horrores,
Cantando o galope na beira do mar.

Não temos sequer o direito das dores,
Das lágrimas tristes, sozinhos à noite,
Porque nos consome a injustiça do açoite,
Então, não contamos a amigos, senhores,
Senhoras sabidas que têm seus valores,
Porque eles também necessitam chorar.
Aí nós pensamos só em naufragar.
Talvez a esperança nos puxe pra cima...
Sei lá de onde vem a coragem e a estima,
Cantado o galope na beira do mar.


quarta-feira, 18 de junho de 2014

Bandida

Saudade maldita! Maltrata, molesta
e deixa tristonho o poeta contente,
que fica isolado num canto silente,
pensando que não há motivo pra festa;
e toda a lembrança o pensar dele infesta,
deixando o coitado caído, sem par,
sem boa esperança, fanal salutar...
Por que essa danada lhe dá ponta-pé,
sabendo que o pobre caminha de ré?...
Cantando o galope na beira do mar.

16/06/2014

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

No Galopar da Saudade



Quem canta a saudade só pode ser crente,
um tanto lunático, em sua memória,
lembrando de tempos felizes, com glória...
Talvez para ter a sua alma pungente;
porque quem se lembra do tempo contente
deseja, na dor, que ele possa voltar;
e como o presente não é salutar,
por dentro se tem escondido o seu pranto
guardado, velado, coberto com manto,
nos dez de galope na beira do mar.

E como? - Pergunto, pois bem no momento
que a sua lembrança se torna Rainha,
mostrando a minúcia em cada uma entrelinha,
então, se deseja que volte o bom tempo
de risos felizes, real sentimento...
- Pergunto, pois, como se pode aguentar?
Que o tempo não volta a não ser ao lembrar;
por isso se chora com tal desespero,
carente e soturno, pois não é ligeiro,
nos dez de galope na beira do mar.

E, quando se vem na memória o bom tempo,
se torna em Princesa a feral Agonia,
levando pra sempre a candura, a alegria,
trazendo de volta os cruéis sentimentos:
tristeza, lamúria - o pior dos lamentos
que a gente não sabe sequer explicar.
Qualquer melodia que venha escutar
lhe dá por sentença o farol de um bom sonho
e logo em seguida um pungir tão medonho,
nos dez de galope na beira do mar.

Saudade se tem de um alguém que partiu
e dói e corrói... Fica a grande ferida;
porque nos machuca a cruel despedida
e a lágrima triste transborda igual rio.
É muito difícil! Diria: sombrio...
Pois todos nós vamos por isso passar!
E nesse momento com quem se apegar?
Amigo, parente, folhinha de arruda...?
Só temos a Deus e o Papai nos ajuda,
nos dez de galope na beira do mar.

Tem gente que zomba da sua ferida,
dizendo: - Você tem que olhar para a frente,
deixar o passado esquecido na mente
e toda a lembrança, por si já vivida.
Quem dera se tudo passasse na vida,
ficasse esquecido e sepulto no mar!...
Que as suas lembranças ficassem no ar!
Jamais se teria algum medo do amor;
de ter paciência e sofrer grande dor,
nos dez de galope na beira do mar.

Se tu meu amigo também tens saudade...
Ficando abatido não tenhas vergonha:
tu és o albatroz que está vivo e que sonha,
que guarda no peito a maior caridade.
Mereces aplausos, louvores de Jade,
porque teu afeto é fanal salutar.
Se um dia tiveres por que prantear
deleita-te, amigo, da boa lembrança:
és sábio, sensível tal qual é a criança,
nos dez de galope na beira do mar.

20/09/2012 5h37

domingo, 6 de maio de 2012

Desafio em Galope: Cairo x Nilson

Aqui o Nilson e eu somente estávamos brincando numa comunidade do Orkut que se chama Trovart:

Cairo - Que todos cantores aqui da Trovart
apertem seus cintos,vou dar espanada!
Pois sou valentão, com canhão, com espada,
com foice, machado, bereta... é minha arte,
se melem, se borrem, liguei meu start,
rebecas, violas não vão aguentar
os versos fuleiros do meu poetar,
mulher valentona, qualquer cabra macho
vocês vão ficar lá no inferno ou pra baixo
nos dez de galope na beira do mar.


Nilson - O Cairo na área querendo pancada?
Pois já bati tanto que doeu meu braço
já dei-lhe uma tunda, aprontei um regaço
que o pobre coitado não sabe é de nada
é bobo o menino, criança mimada
que finge que canta e que sabe rimar
e tem a pachorra de vir enfrentar?
Pois vire essa bunda que vais levar couro
seu verso é de lata, meu verso é de ouro
cantando galope na beira do mar.


Cairo - Jumento, fuleiro, poeta bichado,
um corno arrombado que não tem amigo,
que vive em castigo, és um pobre mendigo,
o boi mais fodido, marido viado,
mulher das esquinas, penico mijado,
poeta manjado até mesmo em xingar
não serves pra nada cagão singular,
matuto, molenga, macaco, cavalo...
Tu és o cocô escorrendo no ralo
nos dez de galope na beira do mar.


Nilson - Oh, Cairo, viado, seu corno bundão!
És trouxa, canalha, ladrão, vigarista,
sebento, babaca, imbecil, masoquista,
otário, marreco, és um boi vacilão
retarda, ranhoso, palerma e cagão,
sujeito mais burro, só quer apanhar.
Cretino, coitado, não sabe rimar:
És parvo, panaca, farsante e cretino;
achando-se o tal tu te mostras menino
cantando galope na beira do mar.


Cairo - Que isso amiguinho? Que verso mais fula!
Que verbo nojento, cagão, fedorento...
Lhe parto em quarenta, pois sou violento,
foi eu que cortei os dois dedos do Lula
você não é nada, não passa de mula
que empaca, não canta, não sabe rimar
a sua viola só sabe falar
que sou bom da peste, que sou bom demais
e todos me aplaudem porque sou vivaz
nos dez de galope na beira no mar.


Nilson - Qualé, Rosa Púrpura, aprume teu verso,
melhore essa escrita senão te arrebento
'cê sabe, meu velho, me sobra talento
e nessa peleja sou bom e perverso:
Sou Nilson, meu velho, tu posa de "Nérso"
se chama pra treta, pois vais arregar,
sair miudinho, pedir pra cagar...
Seu verso é capacho, eu atinjo o tal zênite.
O dedo do Lula? Matei o John Kennedy!
Nos dez de galope na beira do mar.


Cairo - Não sou Mancha Verde e jamais Tricolor...
A tua riminha vai dentro de um balde,
a minha ultrapassa os trezentos mil raund
te pega de quatro arrancando o bolor
do teu fundo feio, cheím de fedor
e todos agora começam louvar
o meu jeito manso de leve pegar
um cabra que mata um só homem em vão,
matei cuma bomba um montão no Japão
nos dez de galope na beira do mar.


Nilson - Irrita no Cairo ele ser tão baitola!
O cara até sonha com pintos e bundas.
Não sou da sua turma, você não confunda
Você desencane: comigo não rola.
Segure essa franga, seu Cairo, controla;
e volte pra rima, pro bom duelar.
Eu sei que és tão biba e só queres um par,
mas cá na Trovart não mordas a fronha:
Você se complica, só passas vergonha
cantando galope na beira do mar.


Cairo - Eu sou a topeira que rói todo o chão,
poder militar de trocentos mil cabra;
eu sou um encanto maior que "acadabra",
veleiro vivaz em qualquer um tufão,
cantor afinado, a madeira que não
consegue jamais por cupim acabar,
o ferro que nunca ferrugem terá;
eu sou o poeta que dou ponta pé
tu não és ninguém, pois só andas de ré
nos dez de galope na beira do mar.


Nilson - Se estou na peleja, eu esqueço o cansaço,
mas tudo se acaba, meu tempo e a cerveja.
A próxima, Cairo, eu espero que seja
na mesma batida e no mesmo compasso.
Estou indo nessa, mas deixo um abraço
ao povo bacana que veio escutar;
e, truta, querendo, é só vir me chamar:
Não falta vontade, nem rima ou assunto.
É nóis dois na área. Isso aê! Tâmo junto
cantando galope na beira do mar.

10/05/2011

Interações de poetas da comunidade do Orkut, Bar dos Escritores:

Jarbas Siebiger - 06/07/2011

Ataque:

O Cairo e o Nilson são dignos nababos
daquilo que o demo carrega na testa
calangos se acham, nessa triste festa
mas são lagartixas abanando seus rabos
não há quem aguente esse pobres diabos
montaram seus jegues à galope pra sampa
com blushes e rímels borrados na estampa
a tempo de andar de mãos dadas na "gay"
gritando, malucas: "Bolsô é meu rei!
quem trova sem arte, aqui não acampa!


Cairo Pereira - 14/07/2011

Resposta:
O Jarbas, coitado, não é afinado!
Por isso não tem o gracejo da rima;
o Nilson, ligado, já sabe que a esgrima
só serve pra quem reconhece o malvado
contor de primeira que tem um bocado
de versos, assuntos e bom linguajar;
não ponha, seu Jarbas aqui neste bar
palavra em inglês pra o cantor tão matuto
que tua mulé se lascou co' homem bruto
nos dez de galope na beira do mar.


Ft - 14/07/2011

Ataque:

Não tem mais duelo, nem farpa, contenda
porque destes dois metidinhos a vates –
de lirismo tosco, faltando em quilates –
não há brilhantismo, nem rima estupenda
senão enganando em partir pra oferenda
pra Buda, pra Zeus, pra São Jorge, Yemanjá
(ou Whitman, Machado, ou Ferreira Gullar)
achando que adianta louvando estes deuses
se o único DEUS (o Ft) está há meses
instruindo o galope na beira do mar...

Não houve mais respostas rsrs