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quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Contumácia

Dê-me motivo para ver teu riso
Na florescência bela de criança.
Que estripulia trazes nesta andança
Do tempo louco que levou meu siso?

Tua alegria já não mais preciso,
Pois ela traz a mim desesperança,
Pode causar em mim a tal vingança
No bem maior chamado de Narciso¹.

Desapareço neste mundo findo
Na alegação de quem não quer sofrer
Porque pereço, ó meu filhinho lindo!

O teu rostinho só faz reviver
O meu pregresso ledo que vem vindo
Em quem te fez para me ver morrer!



NOTA: Narciso, cangaceiro no Estado da Bahia que se converteu ao cristianismo.

domingo, 6 de abril de 2014

De Ébano

Assim me perco, minha negra Diva
Entre o desejo do meu pensamento;
Entre a fumaça de um prazer e vento;
Entre a paixão que o teu olhar se esquiva!...

Quanta lembrança no meu peito criva
Esta saudade, tão cruel tormento?
Sofrendo a esmo me perderei sem tento,
Todo o meu tempo na total deriva.

Aqui relembro dos teus lábios grossos,
O beijo quente, apaixonado e tanto
Que só fizeram tremer estes ossos!...

Teus olhos negros? Eu não vi um pranto!...
Mas vi futuro em meios aos meus destroços,
Por isso a louvo, lembro e, logo, canto!

01/04/2014 9h27

sexta-feira, 4 de abril de 2014

O Poeta Vive de Saudade

De lembranças o poeta vive apenas
Na fervente madrugada muito escura
Que lhe faz pensar pungente na ventura,
Que vivera co' amor e lindas cenas:

Sua musa com as falas mais serenas,
Afagando-o com paixão e com ternura,
Dando beijos, companhia co' a frescura
Das formosas, delicadas mãos morenas.

Caminhando nessa senda, solitário
Não reclama pra ninguém do seu calvário,
Como sofre a dor de parto, que é perene.

Mesmo triste vai lembrando seu pregresso:
Imagina que é vitória, que é sucesso...
A saudade ao nos dizer: - Não tem? Condene!

01/04/2014 23h56

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Perdido

Quanto espasmo eu senti do teu corpinho?
Perdi as contas, querida deslumbrante!
Aprisionado por teu ser amante
Perdi o lume, a visão e até o caminho.

Entreguei-me à flor, flor com muito espinho,
Uma flor que julguei ser diamante,
Um sacrário formoso, aconchegante,
Com suor escorrendo como o vinho.

E as vozes trêmulas de dois humanos
Perderam-se no espaço, no passado,
Mas paralelamente vive ainda.

Tremendamente estranho é perder planos:
O vazio se torna num bocado
De palavras não ditas, como: Linda!

30/01/2014 12h43

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Soneto do Criador e Criação


Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam;... (Mateus 6:28)

À tardinha o sol bate na janela,
preenchendo esta sala com a luz.
Fico olhando a florzinha na gamela
e a beleza singela que produz.

Ao pensar na natura e como é bela:
cada pássaro e as águas tão azuis,
a beleza que tanto nos revela:
a sutil poesia Deus traduz!

Ver os lírios do campo é mandamento
para nós que ficamos ansiosos,
almejando ter mais sem precisão.

Revelado o mistério e o pensamento
de Jesus para que tenhamos gozos,
para que nos matar com a ambição?

20/12/2013 16h2m

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Musa

A inspiração vem como a brisa à noite;
e de mansinho vira luz de encanto.
Já não me importo com a senda e açoite,
porque ela faz ficar atrás o espanto.

Mesmo só tendo a inspiração pernoite
me sinto vate, um sonetista santo;
mesmo não tendo uma paixão que acoite,
sonho contigo e nós sorrindo tanto.

Porém se o acaso te trazer aqui
juntinho a mim, numa paixão febril,
vou me deixar apaixonar por ti.

A madrugada com escuro anil
em mim reluz o amor, porque senti
na inspiração que tive em teu perfil.

12/08/2013 4h20

terça-feira, 9 de julho de 2013

Triste e Esperançoso

Esse olhar triste dá uma poesia.
É olhar de quem o sonho não perdeu
mesmo em prantos no meio do leneu,
mantém a chama viva todo o dia.

Essa tal chama viva, quem diria?
É a esperança que está no peito teu
e que te faz sorrir para o fariseu,
mostrando que virá tua alegria.

Mesmo ele sendo tímido (o sorriso),
numa boquinha linda de botão,
o teu olhar de jade é tão preciso...

Talvez tudo por causa da ilusão,
linda, que te causaram sem aviso.
Teu olhar só revela o coração.

09/07/2013 12h13

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Soneto do Desesperado


Bramando no silêncio da madruga
eu pranteio sozinho a solidão,
esperneia a minha alma de aflição
e o coração implora que quer fuga.

Incomplacente, nasce muita ruga
e muitas cãs em plena escuridão,
onde meus pensamentos vêm e vão,
procurando fugir de quem me suga.

A Ansiedade insana é a grande mestra
que se intitula a dona desta orquestra
que só toca a tristonha sinfonia.

E eu me embalo no cântico da morte
que não tem caridade e nem suporte,
nem sequer o raiar de um novo dia.


07/09/2012 5h47

domingo, 2 de setembro de 2012

Rogo




A minha alma se apresenta para ti
com carinho afetuoso e sentimento
desejando, co' esperança em todo o tempo,
a ternura que ilumina a minha vida.

A minha alma te deseja sempre aqui
afagando em pleno gozo ou no lamento,
quando a lua brilha assaz no firmamento,
anelando que não haja despedida.

Em silêncio, ela vigora um brado forte:
Não se vá minha querida para o norte,
para o sul ou qualquer canto que tu fores!

Pois sem ti não tenho mais a vida plena!
Morrerei de uma pungência nada amena,
pranteando para sempre os teus amores.

02/09/2012 13h53

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Deus da Fantasia


“Vou levando na medida do possível...”
É o discurso mais plausível, contundente...
Todo mundo diz saber e diz que sente
Este pranto tão silente e desprezível.

Eu pensei em ter um bem indivisível,
Mas foi tudo uma ilusão de minha mente,
Pois sofri a dor das dores, simplesmente,
Por não ter o teu perdão ser insensível.

Quando vejo alguém caído e moribundo,
Não querendo mais o pranto rubicundo
Me derreto por vontade e me comovo.

É que odeio o lacrimar soturno e grave!
Então, pego-me voando numa nave
Que me leve para o lar de um mundo novo.

21/10/2010 16h20

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Aquela Noite Em Mim Revive Ainda


Francisca Patrícia Pereira

Não foi quimera aquela noite finda;
não foi miragem da paixão insana,
nem travessura em colossal savana
de flores claras na paisagem linda.

Aquela noite em mim revive ainda
na natureza da real choupana
que a bruma densa me refina a gana
de tê-la sempre, ó minha joia infinda!

Eu sei que há muito sem fanal, letarga...
Chorastes tanto a mais plangente dor,
por venerar alma cruel e amarga.

Agora mudo este feroz labor!
Pois sei que eu amo carregar a carga
deste meu elo que se chama: Amor.

06/08/2009 12h25

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Soneto Do Sonhador



A tristeza que eu sinto em meu peito
É profunda e não sangra por fora.
Quem me vê sorridente de dia
Nunca viu o meu pranto de agora.

Ela ataca de modo perfeito,
Que o ranger dos meus dentes vigora
No silêncio de pura agonia,
Que a minh' alma pungente mui chora.

E eu me lembro que fui felicíssimo
Com o riso dos risos, lindíssimo
Mesmo estando em meu mundo, sem prosa.

Pranteando aos soluços sozinho
Eu me empenho ao sonhar que esse espinho
Se transforme num vaso de rosa.

18/07/2012 2h06

terça-feira, 17 de julho de 2012

Relatos de Uma Pena


Velei a noite inteira o meu amor
Na pungência sofrida de meus passos,
Relembrando vitórias e fracassos;
E a canção me ajudou em meu labor.

O meu peito dorido e sofredor 
Pensou em morte triste e sem regaços,
Sem amigo, parente, amor, abraços...
No desdém do ermo escuro e sem albor.

Em meu calvário atroz, desesperado
A solidão fiel foi companheira,
Pois esteve comigo, bem ao lado.

Tive a pena uma amiga verdadeira
Que, ajudou-me a contar meu triste estado
Em que velei por ti a noite inteira.

17/10/2010

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Reflexão de Um Velho


A juventude passageira desta vida
Embalsamada na memória deste velho,
Procriação de perda, palma, despedida...
É minha bíblia e o que me traz tal evangelho.

Meu olho fosco não me enxerga neste espelho,
Mas eu me vejo claramente à velha lida,
Onde a fraqueza não tomava o rapazelho
Ao qual julgava nunca ter a alma abatida.

Sofreguidão, abatimento... É o meu estado!
Sabedoria? Tem um quê de palmatória;
Porque ganhei com muito tempo acumulado.

E olhando agora o tempo atrás da minha história
O que eu ganhei não me parece apreciado
Por mais perder do que ganhar muita vitória.

27/07/2012

quarta-feira, 9 de maio de 2012

A Diva Baiana


A morena mais formosa da Bahia
vem pedir-me com seu canto, brandamente
um poema que lhe inspire em todo dia
que a pungência vem doer no peito e mente.

Não entendo como pode a nostalgia,
solidão ou depressão na mais silente
noite escura de uma terra em que a magia
faz seu povo ser tão manso e tão contente. 

Como pode a mais formosa entre as donzelas
ter no peito mil quimeras – diamantes!
E dizer não conseguir nenhuma delas?

É que o belo sempre si tem radiantes
luzes fortes, vivas, claras, amarelas...
E não pode se amargar como os amantes.

27/10/2010

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Poeta


Eder Boaventura



Caro apreciador da bela Arte;
enfermo da doença Poesia;
tu que sonhas co' o amor e co' a magia...
Paciente que sofre a dor de enfarte...

Tu quimeras, poeta, anela a Marte,
um amor que encarcera todo dia;
e derramas as gotas de agonia,
por alguém que não faz a sua parte.

Galante o pensamento teu divino
que revelas em versos puro amor,
esperando ganhar o teu troféu.

Admiro-te, bardo pequenino,
pois quanto mais mostrardes este ardor,
merecerás a ti sublime céu.

27/04/2012 4h09