quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Trauma

Eu já vaguei pela noite
Vendo as estrelas distantes,
Sonhando com meu amor
Que vivia noutra terra.
Batia aquela saudade,
Começo de enfermidade
E, sozinho pranteei,
Porque não era mais rei
E tinha perdido a guerra.
Eu sentia uma paz mórbida
Caminhando pela margem
De um rego fétido, imundo,
Mas eu via tantas flores.
Engolia a seco sempre,
Olhava para as estrelas,
Observando o Firmamento,
Ouvindo os grilos cantando,
Sentindo me apunhalando
Com uma lança, a Saudade.
Oh, que cena triste, triste!...
Perco-me nas reticências...
E, por que, meu coração
Trazes a dor para mim?
Aos passos lentos furtava
A alva arte da melodia
Que entravam em meus ouvidos.
Periferia, pobreza,
Desemprego, desalento,
Desdém da dona fulana,
Que em barzinhos com amantes,
Sugando a alma dos coitados
Co'o mesmo truque barato
Que usara comigo um dia,
Nem se lembrou dos meus beijos.
Mas eu caminhava só.
Meu pensamento era um:
Ela e eu juntos para sempre.
Tolo, tolo, tolo, tolo, tolo...
Perco-me nas reticências!
Uma afirmação veraz
Que só me fez pensar tanto;
Pensamento que me fez
Embalsamar aquele homem
No pregresso mais remoto,
Escondido a sete chaves.
Esqueci de ser romântico.
Para que buquê de flores
Para a próxima vadia?
Por que vou acreditar
No rir cheio de ironia?
E por que vou me prender
Como eu fizera em um dia?
Para sofrer de agonia?
Sentir a dor da saudade?
Suspirar na solidão,
Eu, as estrelas e a lua?
Não! Não desta dor maldita!
Sentir os gozos de Empíreo,
Vê-la sorrir de contente,
Realizar fantasias,
Correr de noite na rua
Como dois adolescentes...
E vê-la dizer-me "adeus",
Como se eu fosse uma roupa
Suja ou que o tempo estragou.
Para que tudo isso agora?
Eu já vaguei pela noite...

29/12/2014 15h43